2010/01/10

Pedro, o rei do sabão: Um alagoano nota 10










Alagoano Nota 10


Ex-pedreiro supera pobreza com reciclagem de óleo e produção de sabão caseiro

Pedro Felipe foi notícia internacional por sua capacidade empreendedora de transformar produtos tóxicos em tabletes de sabão feitos no quintal de sua casa

Mário Lima
Paulo Rios - Fotos


Ele é considerado o rei do sabão caseiro na região do Benedito Bentes, e foi destaque na imprensa nacional e internacional pela sua incrível capacidade empreendedora. Em uma casa simples, no Jardim América, periferia de Maceió, Pedro Felipe dos Santos Neto, 32 anos, e sua mulher Dayse Maria da Silva, 36 anos, mantém desde 2001 uma linha de montagem de sabão, obtido através da reciclagem de óleo usado. O Sabão América hoje tem patente registrada e começa a entrar na era do código de barras. Mas o começo não foi nada fácil.

Conheci Pedro em 2008, quando fiz uma reportagem com ele para o jornal Gazeta de Alagoas, com foco no empreendedorismo e pequenos negócios, em um cenário onde Alagoas passava por um “boom” no consumo popular. A matéria teve boa repercussão e chamou a atenção do correspondente da revista semanal britânica The Economist (com tiragem de mais um milhão de exemplares em todo o mundo). O editor-chefe da revista para o Brasil, jornalista John Prideaux, esteve nesse mesmo ano em Maceió, quando escolheu Pedro para ser personagem de sua matéria.

John conversou com pequenos empreendedores em bairros populosos da periferia de Maceió e entrevistou representantes do Governo e da sociedade civil, para criar um diagnóstico sobre a importância desse crescimento na chamada base da pirâmide, impulsionado por repasses do Estado e da União, que garantem a sustentação mínima de consumo (alimentação, vestuário, artigos de limpeza e de construção) e o microcrédito para alavancar os negócios.


A repercussão foi tão grande que Pedro Felipe se transformou em um exemplo de pequeno empreendedor no Brasil e começou sua “carreira” de conferencista. Sua última palestra foi em Garanhuns (PE), em outubro, durante a inauguração de uma fábrica de sabão caseiro, com a presença do próprio prefeito da cidade.

“Os organizadores me acharam pela internet, na matéria que foi publicada em Londres. A gente era mais importante que o prefeito, e no final ainda ganhei de presente uma máquina de corte e modelagem de sabão, no valor de R$ 3,5 mil”, conta Pedro.

O sucesso foi tão grande que os coordenadores do curso de Economia da Universidade Estadual de Garanhuns convidaram Pedro para fazer outra palestra sobre microcrédito e pequenos negócios. “Afinal, eu tinha experiência comprovada de como controlar o dinheiro, pois comecei meu negócio com apenas vinte reais. Eles ficaram admirados”, conta.

Mas quando conheci o casal, Pedro e Dayse trabalhavam em um quarto abafado, com todo processo feito à mão, em uma tosca mesa cheia de linhas e tábuas, para fazer o corte das barras. Sua produção ainda era pequena, e a entrega era feita de bicicleta nos mercadinhos do bairro. Tudo só foi possível quando Pedro pediu os primeiros empréstimos (R$ 80, R$ 300 e R$ 800), no Banco do Cidadão. Ao todo foram oito empréstimos, e ele se prepara para pagar o último.

Pedro era pedreiro da construção civil, quando recebeu uma dica de uma amiga paulista de como transformar óleo em sabão. Daí ele não parou mais. Com um investimento inicial de R$ 20, fruto dos bolos que Dayse vendia no canteiro de obras onde o marido trabalhava, o casal comprou uma quantidade de couro de galinha, que era testado e queimado no próprio quintal, até virar sabão.

“Conseguimos vender uma caixa para o mercadinho, botamos uma placa na porta — ‘vende-se sabão caseiro a R$ 0,25’, o melhor preço da região, e aí começaram a aparecer os primeiros clientes”, lembra Pedro, feliz, ao lado de Dayse e da filhas Paula Débora, 6; Daysiane, 4, e Pauline, a caçula, de 2 anos, que cresceu exatamente no tempo da virada na vida de Pedro.


Exemplo de empreendedorismo chega a Londres através de matéria do The Economist

Em 2008, os negócios de Pedro sofreram um abalo, com a chegada de uma empresa de biodiesel de Aracaju, que começou a comprar o óleo usado de restaurantes e hotéis de Maceió.

“Perdi meus fornecedores, já que eu pegava de graça nesses hotéis e restaurantes, pois ajudava a reciclar e colaborava para um meio ambiente mais sadio. Mas parece que a empresa não deu certo. Hoje o óleo é quem corre atrás de mim, e como disse a reportagem, virei mesmo o rei do sabão”, diz Pedro Felipe, que estoca em tonéis mais de mil litros de óleo, matéria prima bastante para fabricar de 200 a 250 caixas de sabão, contendo 50 unidades.



Com isso, ele dobrou sua produção, e hoje o pessoal é quem liga para ele buscar o óleo. Em 2008, ele tinha uma produção média de 300 caixas (com 50 tabletes) por mês, e em 2009 seu volume de fabricação chegou a 600 caixas por mês. E se antes ele entregava sua produção, de bicicleta, em 15 mercadinhos da região do Benedito Bentes, Pedro hoje tem um Volkswagen modelo 79, com um bagageiro de ferro fundido na capota, onde vende sua produção para 40 mercadinhos e armazéns de toda a região no entorno do Benedito Bentes.

Pedro continua a fabricar sabão no quintal de sua casa, mas agora já emprega três pessoas e pensa em expandir e diversificar seus produtos.

“Já comecei a fazer novas pesquisas e testes para fabricar sabão em pó e sabonete líquido para agregar mais valor e mais renda, e com isso poder contratar mais gente e aumentar a minha produção. Sou suspeito para falar, mas muita gente diz que o meu sabão é melhor que o industrializado. O segredo, além da fórmula, é o amor e o carinho com que fabricamos nosso sabão”, finaliza Pedro, o ex-pedreiro que driblou a pobreza e se transformou em microempresário, patrão e palestrante, quando o assunto é sucesso nos pequenos negócios

5 comentários:

  1. Grande Mário Bró...
    Estou eu aqui no plantão de esportes do Hoje em Dia e me deparo com o seu blog. Parabéns, embora o futebol do Botafogo ultimamente não esteja merecendo tamanha homenagem... Mas botafoguense que é botafoguense gosta um pouco de sofrer, né... Mande notícias, meu amigo, e um grande abraço alvinegro...
    Arlan França

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  2. Bom dia Mario Lima pelo perfil pude notar varias semelhanças em nossos gostos. Parabens, mas o que me leva a comentar em seu blog é a respeito de auxiliar este peq. emp. sobre como a internet pode auxilia-lo, a começar, se puder indicar pra ele abrir o blog formulas e informações gratis que lhe passo a seguir http://formulasgratis.blogspot.com/ um abraço de um empreendedor Mato-grossense
    Zezinho do Café Solo - Sinop MT

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  3. Parabéns pelo texto, gostaria de ter um contato do Rei do Sabão. Agradeço. Larissa Lisboa

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  4. Aê ! MFL, porque parou ? Parou porque ? !!!

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  5. Muito bom este blog, faça uma materia mostrando o litoral norte, a erossão e o lixo. Abraços

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Queridos,

Esse blog é prá vocês, para o povo e para o mundo. A casa é de todos. Mas não esqueça de me reportar.

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Mário Fernando Lima